terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ARQUEOASTRONOMIA BRASILEIRA

É quase unanimidade que toda cultura dita primitiva de alguma forma observou o céu ou fez uso dos movimentos aparentes do Sol, da Lua e das estrelas para elaborarem um calendário local.

Por volta de 1918 Vieira da Rosa fez referências a algumas formações rochosas peculiares no litoral catarinense. Mas só 70 anos depois que o então pescador Adnir Ramos percebeu que algumas das formações rochosas e grandes pedras localizadas no Morro da Galheta coincidiam com o nascer do Sol e da Lua em épocas específicas do ano. Um dos fenômenos foi a observação do nascer do Sol no solstício de inverno na Pedra do Frade. A partir daí, começou a mapear outras pedras possivelmente associadas a efemérides celestiais.

Os três sítios principais com potencial arqueoastronômico, são:
1 - Pedra do Frade, no costão da Barra da Lagoa
2 - Ponta do Gravatá
3 - Morro da Galheta

PEDRA DO FRADE
Este sítio está localizado no costão da Barra da Lagoa. Após atravessar a ponte pênsil e a prainha da Barra da Lagoa, seguindo pela Trilha das Piscinas Naturais. Cerca de 10 minutos de caminhada pelo costão nota-se duas colunas de pedras que se destacam em relação ao ambiente. Percebe-se que as duas pedras permitem a observação de um intervalo do horizonte. O observador não tem opção de se movimentar ao norte pois há o mar, tampouco ao sul pois tem o início do Morro do Farol da Barra. Estando de frente à Pedra do Frade e notando o intervalo do horizonte visível entre as duas rochas, o observador testemunha o nascer do Sol na época do solstício de verão do hemisfério sul (21-22 de dezembro). O ponto de observação está situado a 50 metros da Pedra do Frade e foi encontrada nesta posição uma pedra com linhas onduladas, catalogada por Keler Lucas. Este mesmo sítio está relacionado com o solstício de inverno, bastando o observador se posicionar a sudoeste da Pedra do Frade e notar o nascer do Sol entre as duas rochas.
Continuando o caminho pelo costão encontram-se outros quatro petroglifos em forma de rede, linhas cruzadas e onduladas. Isto é significativo pois indica que houve presença humana no local.

Pedra do Frade.
Foto de A. Amorim

Sol nascendo no Solstício de Verão, 22 de dezembro de 2007.
Foto de A. Amorim

PONTA DO GRAVATÁ
Este sítio possui várias formações rochosas pitorescas porém uma chama a atenção pelo fato de uma pedra similar a um cubo estar repousada sobre uma plataforma. O ponto de observação é singular pois situa-se no limite de um pequeno abismo de 5 metros. Exatamente nesta posição limite o observador nota a linha do horizonte tocando o ponto entre a pedra e a plataforma. E neste cruzamento de linhas é a posição do nascer do Sol no solstício de verão. Até o momento não encontrou-se petroglifos ou outro vestígio de presença humana antiga a não ser na pequena praia do Gravatá onde existem diversos amoladores.

Sol nascendo no Solstício de Verão, 20 de dezembro de 2008.

Foto de A. Amorim


MORRO DA GALHETA
A peculiaridade deste sítio reside no fato de estar relacionado principalmente com os equinócios embora haja alguns alinhamentos solsticiais. Em relação aos equinócios encontramos três pedras com tamanho em torno de 3 metros - A, B e C. A pedra A repousa sobre a pedra B. Já a pedra C encontra-se cerca de 3 metros à leste das primeiras. O observador deve se situar a oeste destas pedras, próximo a uma parede rochosa, de modo que a conjunção das três pedras formem uma minúscula janela onde a linha do horizonte atravessa o seu interior. Se o observador deslocar-se a sua direita, a janela fecha-se, e se o observador deslocar-se a sua esquerda, a janela se desfaz. Exatamente na direção da janela o Sol nasce por ocasião dos equinócios (20-21 de março ou 21-22 de setembro). É sabido que o movimento aparente do Sol na linha do horizonte durante a época dos equinócios é maior do que durante os solstícios em virtude da inclinação relativa da eclíptica com o equador celeste. O autor ainda não observou o comportamento do feixe de luz solar sobre a parede rochosa. O único vestígio arqueológico nas proximidades é uma inscrição rupestre descoberta por Adnir Ramos localizada numa das trilhas de acesso (também conhecida por Caminho dos Reis). Durante a pesquisa por parte do autor notou-se a ação de vandalismo no sítio, principalmente derrubada de algumas pedras e restos de fogueira.

Alinhamento de pedras existentes no Morro da Galheta.
Foto de A Amorim.


Sol nascendo no Equinócio de Outono, 21 de março de 2008.
Foto de A. Amorim.

Diversas culturas e tradições encontraram seus meios de determinar tais épocas, formando assim seus calendários. Estas variações sazonais refletem no ambiente e isso não passa despercebido por nenhuma cultura. Desde a migração de aves, até a aparição de grandes cardumes, passando pelo amadurecimento de diversos frutos, há vários ciclos ecológicos relacionados com as estações do ano. Portanto, assim como em outros locais do mundo houve grupos que percebiam tais mudanças ambientais e sua relação com os fenômenos celestes, da mesma forma as antigas tradições na Ilha de Santa Catarina fizessem o mesmo.

Os Sambaqueiros: Dominavam a técnica da pedra polida a julgar pelos pertences encontrados em seus sambaquis. O provável conhecimento astronômico que poderiam ter estaria relacionado em saber a época de colher apropriadamente os frutos maduros ou simplesmente se preparar para pescar certos peixes na época certa. Com a diminuição da duração do dia e proximidade dos dias mais frios o primitivo pescador saberia que se aproxima da época de pescar a tainha, por exemplo. Hoje, com a nossa cultura fortemente influenciada pelo calendário gregoriano, o pescador responderia prontamente que tal época situa-se entre os meses de maio e julho. Mas o pescador primitivo tinha outro tipo de contagem de tempo, um calendário cíclico que alternava entre dias frios e dias quentes.

Os Itararés: embora também fossem pescadores-caçadores-coletores como os sambaquieiros, os itarerés dominavam a cerâmica para uso utilitário. Os itararés tinham excelente qualidade de vida, a julgar pelas ossadas disponíveis.

Por que tais tradições não usariam ferramentas para o ciclo anual? A resposta a esta pergunta necessita de pesquisa.

O trânsito do disco solar durante o solstício de verão, conforme observado na Pedra do Frade, dura aproximadamente 16 dias centrados na data do solstício. Já o trânsito do disco solar na janela formada pelo alinhamento de pedras no Morro da Galheta não ultrapassa 4 dias em virtude do rápido movimento aparente horizontal do Sol na época dos equinócios.

Baseado em texto de Alexandre Amorim.

Um comentário:

  1. Comunico que localizei em Rondônia-Brasil
    Geoglifos com temática Pré-Inca(Toltecas-GuaOmegua, Paititi ou Dorado)

    Em meu blog tem a imagem de satelite das constelações inca
    que chamo de Via láctea (Disco solar ?)

    As constelações estão agrupadas e a ultima a direita e a constelação Atoq-Fox El Zorro

    que segundo o site http://qoyllur.blogspot.com/2009/10/un-zorro-en-el-cielo.html

    esta relacionado com o diluvio e e o alinhamento Solar

    Localização dos Geoglifos

    Lagoa de Paititi
    Serpente-Jaguar-Condor -12.746512,-62.30381
    Condor Perto do Rio Guapore -12.890796,-62.512207

    Pirâmide do Condor- -12.392988,-62.173347

    Constelações da Via Láctea

    Mais visíveis llama ,llama baby,condor,jaguar,rosto
    -12.350566,-62.193518

    Buraco negro -12.357274,-62.21077

    Perdiz-12.34629,-62.180386

    Sapo -12.338493,-62.159357

    Escorpião -12.337822,-62.13644

    Fox-Atox -12.338409,-62.123823

    Criador-Sol -12.341176,-62.253857

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