Em suas viagens destinadas à Ásia, no final do século XV e início do XVI, Cristóvão Colombo chegara às Antilhas, que julgou fazerem parte das ilhas de vanguarda da sua almejada “Cypango” (Japão) e das Índias, com suas valiosas especiarias.
A notícia de terra firme e povoada a oeste do Mar Oceano chegou rápida ao conhecimento dos perplexos humanistas da Europa. E não tardaram as suposições concernentes à origem dos seus habitantes, de um tipo diferente dos europeus e africanos. Hipóteses inumeráveis foram lançadas por eruditos. A mais interessante surgiu da lembrança de uma história lendária, que viera do Egito, na Antiguidade, e expandira-se pela Grécia de Platão: a existência de Atlântida em pleno Mar Oceano – motivo pelo qual os gregos lhe deram o nome de Mar Atlântico. Seriam aqueles habitantes descendentes dos atlantes?
A partir de 1800, com o progresso dos conhecimentos científicos, alguns estudiosos preocuparam-se com o problema da ocupação original da América. Já se sabia que não foram autóctones, e sim descendentes de migrações. No início do século XX, Hrdlilçka, elaborou uma teoria que prevaleceu, sobretudo nos Estados Unidos: os ocupantes seriam formados por uma única raça, do Alaska à Terra do Fogo, de origem mongolóide, que teriam chegado à América vindos das regiões setentrionais da Ásia oriental. O estreito de Behring fora o caminho utilizado pelos migrantes, que teria congelado durante a última era glacial tornando-se uma ponte entre os dois continentes há cerca de 10 mil anos atrás.
Meio século depois, tornou-se evidente que os grupos que migraram pelo estreito de Behring não ultrapassaram o Canadá. A maior parte do povoamento – de maior importância inclusive – foram resultantes de migrações oceânicas através do Pacífico, que consolidaram em alguns milênios a ocupação ampla do continente. Desembarcaram ao longo de toda a costa ocidental da América, da Califórnia à Terra do Fogo, vindos da Austrália, Melanésia, Indonésia e Polinésia.
A menor dessas migrações, a mais meridional, viria do sul da Austrália, talvez da Ilha Tasmânia. Seria a origem dos agigantados índios Patagões e aos Fueginos, na Terra do Fogo, a extremidade sul do continente. Alguns traços culturais foram encontrados entre esses povos que se vinculam aos povos australianos: o manto de peles, as choças em colméia, o bote de cortiça, o bumerang, as técnicas de trançar cordões, etc.
O segundo grupo migratório importante partiu da Melanésia, através de balsas. Foram encontrados vários objetos tipicamente melanésios em povoamentos antigos desde o sul da Califórnia até Lagoa Santa, no Brasil.
O terceiro grupo veio da Indonésia. Hábeis navegadores, eles já dominavam o Pacífico antes que os europeus conseguissem atravessar o Atlântico. Faziam longas e perigosas viagens pela Oceania, usando as correntes marítimas e os ventos e tufões orientais que eles sabiam enfrentar. Sua arma típica é a sarabatana.
Com todos aqueles séculos, milênios talvez, tornou-se bem amplo o número de migrantes desembarcados nas costas ocidentais americanas... além da multiplicação dos grupos dispersados já por essas terras. Alguns deles fixaram-se perto do litoral, mas a maioria penetrou a terra, de onde se avistava ao longe as altas montanhas coroadas de neve da Cordilheira dos Andes. Em sua maior parte, devem ter descido as encostas orientais dos Andes e seus planaltos, espalhando-se por milhares de léguas de norte a sul, mergulhando em florestas tropicais e rios de águas copiosas, nunca imaginadas por eles. E assim ocuparam todo o território da América do Sul.
Os povoadores oceânicos agruparam-se nas duas zonas continentais: a alta, dos Andes a oeste; e a baixa, a oriental, compreendendo principalmente o Brasil. Na área brasileira, estabeleceram-se dois tipos de indígenas. O menos culto, provavelmente os mais antigos, ambientaram-se a viver de caça, pesca e coleta de frutos e raízes, constituindo a FAMÍLIA GÊ. O segundo, originários da Polinésia, já possuíam um certo adiantamento cultural, praticando agricultura regularmente, abastecendo-se de milho e mandioca. São a origem da FAMÍLIA TUPI-GUARANI, que originalmente se organizaram no altiplano boliviano, às margens do Lago Titicaca, e só depois se dispersaram pelo Brasil, Paraguai e Uruguai.
Baseado em texto de MOACYR SOARES PEREIRA,
da Universidade Federal de Alagoas.
da Universidade Federal de Alagoas.
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