
Lukapa e Pakaje são apontados como inquietantes e perturbadores personagens através das antigas crônicass. Dos Lukapa, o padre Ramos Gavilan declara que são "más pessoas, desonestas, de maus instintos e costumes duvidosos". Muitos dentre eles, esclarece, "vestem-se como mulheres", o que o Inca lhes proíbe severamente. o Inca fez mais ainda assim que conseguiu submetê-los, instalando em suas cidades um governador encarregado de vigiá-los. E fez construir Acllawasi (Casa das Mulheres Escolhidas).
Guerreiros de alto porte, em lutas rivais perpétuas, os Lupaka e os Pakaje semearam à sua passagem, ao longo da margem do Pukinacocha, ruínas e boatos confusos, que não fáceis de compreender e interpretar hoje em dia. Rigoberto Paredes, autor de apaixonante obra sobre os mitos, superstições e vestígios dos Lupaka e Pakaje na Bolívia, conta como ainda hoje são tabus, aos olhos dos índios do Lago Sagrado, fenômenos e acidentes geográficos ou geologicos que abundam nas Cordilheiras. Montanhas,s fontes, grutas e cavernas, rochedos, rios e lagunas são Achachilas - as "Moradas dos Espíritos Ancestrais", crença que anima e guia a vida codidiana de cada ayllu. O andino venera profundamente as achachilas e as teme ao mesmo tempo. Simbolizam a fonte genérica das grandes civilizaçaões dos Andes, que precederam os camponeses da idade moderna. Entre os mais importantes, figura em primeiro lugar o PUKINACOCHA (Titicaca). Depois, os vulcões que o cercam: Illimani, Illampu, Hake-Hake, Sorata, Huayna-Potosi e muitos outros ainda que, por sua altura ou sua configuração, sejam tratados como genitores superiores ou secundários.


Segundo a tradição, o primeiro chefe dos Lupaka saiu de um raio de sol - "princípio vital". Os Pakaje, de um olho de condor real - pássaro que voa mais alto que todos os demais e é servidor alado do Sol. Estas duas castas poderosas estavam assim estreitamente aparentadas pela gênese andina. Descendentes desses povos - os KOLLA - fundaram cidades que perpetuaram seus nomes até a chegada dos invasores europeus. Eles foram contemporâneos dos Tihuanaco e, provavelmente, ajudaram na construção daquela cidade megalítica.
A poderosa confederação Kolla reunia muitas nações diferentes, originárias da região do Pukinacocha e de outros lagos bolivianos. Além dos Lupaka e dos Pakaje da província de Tiahuanaco, haviam os Karuma, os Oruro, os Karanga e diversos grupos periféricos, tais como os Acatemeño, os Kollahuas e os Kanas. A confederação tinha por totem um NAPA - um guanaco branco, vindo de Hanapacha (o céu) e que o Sol tinha deixado sobre a terra para que os Kollas obtivessem dele a maior geração de lhamas. Napaos protegia do alto das nuvens, sob a fomra da constelação Urcuchillay (a ocidental Lira), que pescadores aymará mostram ainda hoje como o guanaco divino.
Embora aparentados e membros da mesma confederação, os Lupaka e Pakaje combateram-se frequentementes, seja para defender seus credos religiosos, seja pela posse das raras terras produtivas do Altiplano e das ilhas do lago sagrado. Os Homens-Sol tinham à sua frente um Kari, os Pakaje, por seu turno, eram comandados por Zapana. Os quipucamayocs (os anotadores incas) registram lutas sangrentas entre si para determinar quem herdaria esses títulos.
Entre os Lupaka, o sacerdote usava um bracelete de ouros - chamado de chipana -, com um medalhão côncavo (do tamanho aproximado de uma laranja), usado para captar os raios do sol e concentrá-los sobre madeira seca, a fim de se obter o "fogo novo" das mãos do próprio Sol.
Baseado no texto de Simone Waisbard
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