Já nas crenças de grande parte dos povos Tupi, TUPÃ é o Pai Maior, aquele que habitou a Terra. Todos os homens descendem de Tupã. Junto com Tupã, os principais Deuses são chamados de Mãe como GuaráCy (Mãe-Sol) que nos dá a sustentação no espaço e nos dá o calor; JaCy (Mãe-Lua) que nos dá os sonhos e a luz durante a noite e alguns elementos da Terra durante o dia... como a água, por exemplo; e YbiCy, a Mãe Natureza ou a Mãe-Terra.
Contam os mais velhos que em algum lugar no meio das coxilhas, vivia uma tribo guarani cujo cacique tinha muita fama de valentia, bravura e sabedoria. Era um exemplo para seus comandados. Todos os índios queriam ser como ele, lutar como ele, caçar como ele, ter o conhecimento de tudo o que ele sabia. Outro motivo de orgulho para o cacique era a sua linda e formosa filha, Caá-Yari, muito admirada pelos jovens guerreiros.
Mesmo com tantas razões para ser um homem altivo e feliz, o chefe índio andava acabrunhado, triste... Uma tristeza vinda lá do fundo da alma. O cacique estava se enveredando pelos caminhos da velhice e tinha medo de ficar sozinho.
Além disso, estava preocupado com sua sucessão. Não tinha filho homem e precisou escolher para sucedê-lo o mais valoroso entre os guerreiros da tribo. Justo o bravo pela qual sua filha Caá-Yari estava apaixonada. Era um grande problema a afligi-lo. Pela lei dos guaranis, a mulher do chefe da tribo tinha de acompanhá-lo em quaisquer de suas viagens, fossem caçadas, fossem batalhas, fossem missões de paz ou a busca de novas terras. Assim, se Caá-Yari casasse com o guerreiro escolhido para se tornar o novo cacique, muitas vezes teria que se ausentar da tribo. Com a filha longe, o velho chefe não sabia se ia agüentar continuar vivendo.

O desprendimento de Caá-Yari era percebido pelo chefe indígena. Sua dor e angústia eram tantas que decidiu procurar TUPÃ, o Grande Pai, aquele que costuma ordenar todas as coisas do mundo. O cacique tinha consciência de que não poderia exigir a presença da filha ao seu lado para sempre e pediu a Tupã que lhe desse um companheiro para as horas de solidão. Como forma de atender o pedido, Tupã mostrou ao cacique uma árvore grande, de folhas verdes. Dessa árvore mandou que o índio retirasse, secasse e torrasse as folhas, fazendo com elas uma bebida amarga e quente, mas deliciosa. Seria sua companhia para quando ninguém estivesse junto a ele. Para preencher o vazio da saudade. E assim foi criada a erva-mate.

Por ter sido a razão principal do surgimento da erva-mate, Caá-Yari passou a ser o espírito protetor dessas árvores.
Baseado em texto de Heitor Kaiovám e do Centro Cultural Gaucho
Emocionante heim... quase chorei aqui...
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