
A partir dos oito anos de idade a menina se abstém de mel (de açúcar e qualquer doce), já como prevenção contra futuras cólicas menstruais. No passado, conforme descrições de Montoya, no período de menstruação, a menina permanecia em redes, que eram costuradas deixando somente a parte do rosto aberta, para a respiração. Essa reclusão evita a entrada de “coisas negativas” no corpo da menina.
Entre os antigos Guarani, as meninas não consumiam carne até que o cabelo crescesse a ponto de cobrir-lhes as orelhas. E deviam evitar a presença dos homens e de certos animais, tais como os papagaios, sob pena de se tornarem tagarelas.

Atualmente, por ocasião da primeira menstruação, a menina tem seu cabelo cortado curto, permanece isolada em seu quarto ou em local reservado por três dias e recebe alimento da mãe. Após o terceiro dia a mãe a convida a trabalhar (carpir ou lavar roupa) junto com as outras mulheres. A partir daí, é considerada adulta.
TAMBETA e TEMBEQUA
Antigamente era feito um furo com espinho de porco-espinho no lábio inferior dos meninos, que facilitava o assobio para responder ao outro na mata. Esse ofício é chamado de TAMBETA.

Schaden informa que a perfuração do lábio inferior, entre meninos de dez anos, é parte de uma cerimônia precedida por um ano de abstenção de comidas pesadas; a alimentação preferencial, nesse período, é chicha (bebida de milho fermentado) ou mingau doce feito de milho. Segundo Chamorro, a bebida fermentada aparece na cerimônia da furação labial dos meninos com o sentido de “cozinhar os jovens para que não se tornem violentos e nervosos”.
Na idade em que o menino começa a falar grosso, entre 14-15 anos, fura-se as orelhas. Nesse furo, coloca-se o miolo de uma folha até o furo ficar bem curado, às vezes espera-se até três meses. Esse orifício é chamado de TEMBEGUA.

Baseado em texto de ZÉLIA MARIA BONAMIGO
Muito interessante. hoje ainda as meninas ficam em uma rede durante a menstruação?
ResponderExcluirNas aldeias mais tradicionais, sim. Aquelas que estão muito ocidentalizadas, muitos dos costumes guarani já não são mais vividos.
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