domingo, 30 de junho de 2013

SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE SANTA ELINA - MATO GROSSO


Mato Grosso possui milhares de Sítios Arqueológicos. Todos são importantíssimos, mas destacaremos aqui, um que se apresenta como dos mais importantes testemunhos da presença humana no continente americano. Trata-se do SÍTIO ARQUEOLÓGICO SANTA ELINA que, desde 1984, vem sendo pesquisado por arqueólogos da Universidade de São Paulo e do Museu Nacional de História Natural de Paris/França.

Santa Elina é o terceiro sítio arqueológico mais antigo das Américas, remontando a 27 mil anos AP (antes do presente). O primeiro é o Boqueirão da Pedra Furada, que fica no município de São Raimundo Nonato, no Piauí, datado em mais de 50 mil anos. Já o segundo é o sítio de Monte Verde, no Chile, datado em mais de 30 mil anos AP.

O sítio arqueológico de Santa Elina, fica localizado no município de Jangada, distante 82 quilômetros de Cuiabá, na fazenda do mesmo nome. Em um vale bastante agradável, coberto por vegetação típica de cerrado, onde os paleoíndios encontraram um abrigo sob-rocha bastante seguro para morar.

O abrigo possui uma inclinação que impediu durante milhares de anos que a chuva molhasse o local, permitindo que materiais delicados se conservassem até os dias atuais. É um lugar excepcional por ter preservado algumas folhas de palmeiras entrelaçadas, e alguns fios de fibras trançadas cuja datação se aproxima dos 6.000 anos AP. Outro achado importante são fragmentos de madeiras usadas como esteio, indicando, talvez, uma provável construção de habitação ou jiraus ou algo, semelhante a um "porta-objetos".

Foram encontrados instrumentos de pedras, um bastão com resto de pigmentos corantes de cor vermelha e ossos de diferentes animais, indicando uma abundante fauna – papagaios, periquitos, tucanos, corujas; mamíferos de grande porte, como veados lobos, antas, onça, jaguatirica, etc. – e fogueiras datadas em milhares de anos atrás.

Santa Elina é uma referência para estudar o povoamento inicial das Américas. Um dos raros locais da América onde o ser humano conviveu com espécimes da megafauna. A pesquisa é liderada pelo casal Águeda e Denis Vialou. Ele, do Museu Nacional de História Natural de Paris, e ela, arqueóloga da USP e do Museu Parisiense.

Na enorme parede de calcário, existem cerca de 1.000 pinturas, o que destaca Santa Elina, como um dos maiores sítios de arte rupestre brasileira. Em sua arte, os moradores daquele local fizeram emprego de três técnicas: pintura, desenho e picoteamento/martelamento da rocha. Usando cores vermelha, roxa e preta, pintaram figuras antropomórficas, monstruosas, abstratas ou de animais, como macacos, veados, pássaros. Algumas das pinturas sugerem que os homens daquela comunidade usavam brincos e os cabelos amarrados ao alto da cabeça.

Também foram encontrados vários blocos de pedras, dando a impressão de um arranjo proposital, algo como uma espécie de “piso” manchado de vermelho e preto mas que, infelizmente, não é possível saber para que serviam. Ali se preservou flores, frutos e folhas de palmeiras. Pedaços de carvão encontrados nas fogueiras, indicam que a vegetação da região era constituída de grandes árvores. Bem diferente da vegetação de cerrado hoje existente.

Poucos fragmentos cerâmicos foram encontrados, mas achou-se grande número de conchas, moluscos, peixes, e sapos. No nível correspondente a 2.000 anos atrás, encontrou-se uma espécie de sandália. A impressionante capacidade de preservação do local permitiu que pequenas cordas de fibras vegetais e cestos feitos de folha de palmeiras chegassem até nós, séculos depois.

Os instrumentos feitos em pedras foram enviados aos laboratórios, para se descobrir como eram feitos e de que forma fora utilizados. Tudo indica tratar-se de um grupo caçador/coletor que gostava de pescar nos riachos da região.

O que tem sido encontrado nesse local, tem provocado fortes polêmicas no meio científico. Fragmentos de vértebras de um animal já extinto, de quase 4 metros de altura, conhecido como "Glossotério", ou Preguiça Gigante, foram encontrados associados aos vestígios humanos. A informação é polêmica, deixando em polvorosa a comunidade científica. Sugerem a realização do mais antigo “churrasco” em território matogrossense. Um pedaço de placa óssea de dois centímetros, retirado da pele desse animal foi trabalhado por um artesão pré-histórico. Este achado é de suma importância, por registrar, no Brasil, a mais antiga prova de associação entre a megafauna e uma atividade humana; indica que os antigos habitantes do Mato Grosso, caçaram o glossotério e utilizaram seus ossos para representação artística.






Um comentário:

  1. Que fantastico, imagina conviver naquela época com um bicho enorme desses. Muito bom o artigo.

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