segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SIMBOLISMO DE TIWANAKU

O principal edifício de Tiwahaku é a PIRÂMIDE DE AKAPANA, perfeitamente orientada segundo os pontos cardeais. A noroeste dela, ergue-se o PALÁCIO DE KALASASAYA (onde se encontra a Porta do Sol), cuja entrada principal está orientada para o leste. Este templo encontra-se na frente de um pequeno templo subterrâneo, orientado no eixo norte-sul. Uma estrada passa entre Akapana e Kalasasaya, no sentido Nordeste-Sudoeste, indo até o TEMPLO DE PUMAPUNKU, a uns 980 m de Kalasasaya.

A partir desses elementos podemos ver, com clareza, a bipolaridade da cidade: HANA PACHA, a Cidade Alta, e HURIM PACHA, a Cidade Baixal. Em Tiwanaku, Kalasasaya, solar e diurna, se contrapõe a Pumapunku, lunar e noturna.

O pórtico de entrada do templo solar de Kalasasaya está orientado para o leste. Chega-se a ele por uma pequena escadaria de sete degraus, onde os dois últimos são formados por um bloco monolítico de dezenas de toneladas. Esse pórtico foi projetado para que o sol nascesse bem no seu centro nos Equinócios (de Outono, em 20-21 de Março e da Primavera, 20-21 de Setembro). Mas à frente, no centro trigonométrico do lugar, está o MONOLITO DE PONCE.

Este monólito tem diversas características interessantes: de dois metros de altura, em estilo geométrico, tem o aspecto de um sacerdote paramentado com roupas rituais e em postura hierárquica, trazendo sobre o peito dois vasos de oferendas. Parece que desempenhava uma missão de “relógio solar”, indicando as horas com sua sombra.

Saindo de Kalasasaya pela porta principal, após atravessar um calçada cheia de oratórios, chega-se ao templo semi-subterrâneo, cuja entrada é
uma escadaria de seis degraus no seu lado sul. Esta construção é uma das mais antigas do conjunto. Também orientada pelos pontos cardeais, é um espaço retangular de 26m x 28,50m. De suas paredes de andesita rosa destacam-se “cabeças” de pedra clara, projetadas para fora do muro, muito semelhantes às cabeças do homem-jaguar encontradas nas praças semelhantes em Chavin.

No pátio desse templo, encontram-se diversas estátuas, como por exemplo a de u
m músico tocando uma flauta-de-Pã e os dois ascetas guardando a entrada, mas cujas colunas se transformam em serpentes, - eles parecem simbolizar o sacrifício e o conhecimento adquirido. O aspecto esquelético de todas as estátuas, recorda aquelas de madeira encontradas na Ilha de Páscoa.

Uma das estátua mais interessantes de Tiwanaku é o MONOLITO DE BENNET, em cujo corpo estão gravados os mesmos "gênios alados" encontrados na Porta do Sol. Trata-se de uma representação de WIRACOCHA ou de seu Sacerdote, portador do poder do Jaguar Celeste. Em suas vestes encontramos pontos circulares na disposição da constelação de Órion (Constelação do Jaguar). Tem nas mãos vasos de oferendas, de onde saem peixes – símbolos de sacrifício à Lua.

Todos os aspectos do sol diurno e noturno estão representados no corpo desse monólito, vivificando cada um de seus aspectos e poderes. Uma l
arga “trompa” se destaca na sua toca, lembrando um elefante. Esse animal – chamado de WARI WILKA – representa o sopro da vida, a energia da Divindade. O mais interessante é que os elefantes desapareceram da América há mais de 7.000 anos.

A principal construção de Tiwanaku é, sem dúvida, a Pirâmide de Akapana: um edifício de base retangular, com terraços superpostos, coroados por um templo; grandes escadarias que dão acesso ao santuário. Akapana é o símbolo da terra seca e do fogo celeste, da ilha de fogo e da sabedoria que sobrevive aos cataclismas.


Nas escadarias desse templo piramidal, encontramos o ideograma HURAKESA, que representa a Terra. Mas, se invertido, passa a representar o Céu.
Dessa forma, aplicados nos degraus, fazem das escadarias de Akapana uma “ponte” de união entre esses dois mundos: UKU PACHA, a Terra, a Cidade de Baixo, e HANA PACHA, o Céu, a Cidade do Alto. Assim, subir as escadarias de Akapana leva os tiwanakus da Terra ao Céu; ao descer, voltavam do Céu para a Terra. Akapana é, portanto, a ligação entre os dois universos andino.

Perto dali, em outro monte artificial, encontra-se um pórtico de pedra semelhante à Porta do Sol, mas com representação de perdizes no lugar de condores. Esses dois pássaros eram considerados como portadores de luz através do céu: perdizes transportavam raios da lua, enquanto condores, levavam raios solares. Isso indica, portanto, que esse pórtico é uma representação lunar e, então, ficou conhecida como Porta da Lua.

O templo de PUMAPUNKU, cujo nome significa “A Porta dos Jaguares”, está, hoje, reduzido a um terraço, cujo principal enfeite é o signo “S” – que, em Tiwanaku está associado ao jaguar, representando sua cauda em movimento, e portanto um símbolo de vitalidade. Parece que havia ali uma grande pirâmide de pedra sobre a qual deveria estar o templo do Jaguar. Porém suas pedras foram deslocadas pelos invasores espanhóis para construção de palácios e igrejas.



sábado, 27 de novembro de 2010

ORAÇÃO A WIRACOCHA

Oração a CON TICSI WIRACOCHA, copilado por Guamán Poma de Ayala, em 1600.


Tiqsi Wira Quchá... Qaylla Wira Quchá... Pacha Kamáq, Runa Ruraq!
Fogo dos fundamentos... Fogo que impõe limites...
Princípio do espaço-tempo que faz a realidade dos homens.

Maypim kanki? Maypim kanki? Yayá!
Onde estás? Onde estás? Princípio meu...

Tiqsi Qaylla Wira Quchá!
Fogo que impõe fundamentos e limites

Maypim kanki, hanaq pachapichu, kay pachapichu qaylla pachapichu?
Onde estás? Acima daqui, nas profundezas ou aqui nesse mundo mesmo?

Kay pacha Kamáq, Runa Ruráq!
É tu quem faz a realidade dos homens!

Maypim kanki?
Onde estás?

Uyariway!
Olha por mim!

MITO DE WIRACOCHA

Mito inca sobre QUN TIQSI WIRAQUTRA (ou Com Titi Wiracocha, ou simplesmente Wiracocha) e a origem de Tiwanaku, copilada por Betanzos, cronista do século XVI:


Da lagoa de Collasuyo saiu QUN TIQSI WIRAQUTRA
Senhor muito poderoso
que criou o Céu e a Terra
e os seres humanos,
deixando tudo na escuridão.

Por sua desobediência,
estes primeiros homens
provocaram a cólera do Deus
que os transformou em pedras.

Este período é chamado PURUM PACHA.

Logo, QUN TIQSI WIRAQUTRA
saiu pela segunda vez da Lagoa de Titicaca
e se dirigiu às proximidades do lago
até um lugar chamado Tiahuanaco
E ali, criou o Sol e o Dia
e ordenou ao Sol iniciar sua carreira
que continua até hoje.

Depois, criou a Lua e as estrelas
e modelou uns homens-pedra
assim como um príncipe para governá-los.

Os mensageiros de QUN TIQSI WIRAQUTRA
percorreram todo o Andes
e vivificaram os homens-pedra
ordenando-os que saissem das grutas, dos rios e dos mananciais
de onde haviam nascido, para ir povoar o território
e instalar-se em diversas províncias.

Assim, pouco a pouco, se povoou toda a terra,
depois do Dilúvio HUNO PACHACUTI,
que havia destruído a primeira humanidade.

É em Tiwanaku
que QUN TIQSI WIRAQUTRA
deu vida ao primeiro homem de pedra:
WIRAQUTRA, seu filho,
um homem branco, vestido de branco
e levando um cetro de ouro.

Vindo para civilizar os homens
lhes transmitiu leis justas,
triunfando assim de seus inimigos.
Pecorreu os Andes até a costa
e andando sobre as ondas desapareceu no mar.

Já que andava sobre as águas
- como a espuma -
foi chamado de WIRAQUTRA: "espuma do mar".

QUN TIQSI WIRAQUTRA é o Deus
ordenador do mundo.

Sua obra se manifestou nos três mundos:
no céu, na terra e no abismo.

Cria o movimento diurno e noturno:
o Sol e a Lua.

Seu corpo constitui o eixo vertical do mundo.
Seu impulso, o eixo horizontal.

Nessa nova ordem, os tres mundos podem se manifestar:
- A TERRA, com o cedro duplo
- O CÉU, com o cetro do condor
- O ABISMO, com o cetro da perdiz

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CHAVIN - Pacto entre o Céu e a Terra

CHAVIN DE HUÁNTA está situada na região montanhosa no norte de Peru, a uma altitude de 3.180m acima do nível do mar, entre os rios Mosna e Wacheska. Foi, durante séculos, o principal centro de religioso dos Andes. As ruínas arquitetônicas, as cerâmicas e outros vestígios que subsistiram, atestam ali se instalou um povo forte e enérgico, que, desafiando o clima dos Andes, implantou as raízes de uma importante civilização. Chavin é considerada a CULTURA MÃE por estar na origem das culturas que se sucederam por todo o território andino, deixando uma profunda influência religiosa e artística tanto na costa quanto nas montanhas. Chegou inclusive ao Império Inca, com a representação mágico-religiosa do JAGUAR, símbolo da origem e do fim do mundo pré-colombiano.

C
havin construiu um grande centro cerimonial, em torno de 1.800 a.C., que ficou em atividade até o século XIV d.C. – ou seja: por mais de 3.000 anos. No começo da construção, ergueram estruturas piramidais (hoje transformadas em colinas), plataformas e praças rodeadas por terraços. A parta mais antiga, chamada de TEMPLO DO LAZON tem a forma de um grande U com os três braços mais ou menos do mesmo tamanho. Posteriormente, construíram o que hoje chamamos de TEMPLO TARDIO ou O CASTELO. As duas estruturas não são maciças; pelo contrário, têm um complicado sistema de galerias subterrâneas.

As galerias do Templo do Lazon começam no alto de uma escadaria no lado ocidental da praça principal do complexo, com 21 metros de diâmetro, murada por pedras onde foram esculpidos imagens antropomórficas e jaguares (símbolo predominante nesta cultura). Essas galerias foram construídas em vários níveis, subindo e descendo, e são acompanhadas por um fantástico sistema acústico, alimentado por água, que produz sons semelhantes a rugidos por toda a sua extensão. Isso produziria um clima de sobrenatural, que preparava o encontro com o LAZON, no meio do templo, em uma larga câmara com orientação norte-sul. O Lazon é uma escultura de pedra, com 4,53m com a forma de um canino, e esculpida com a figura de um Jaguar. Essa é a divindade suprema de Chavin: o Jaguar Subterrâneo, em oposição ao Jaguar Celeste.

O Lazon representa a força da natureza, o Fogo primordial, a força telúrica. Em Chavin encontramos os três planos da natureza: o Jaguar Celeste (representado pela constelação de Órion), o Jaguar Diurno-Solar (representado pelo felino antropomórfico e caracteres ornitomórficos do Condor e de répteis das Amarus) e o Jaguar Noturno (o sol oculto durante a noite, representado pelo Lazon). Este último representa a união das energias celestes e subterrâneas, o pacto entre o Céu e a Terra!

Segundo estudos realizados por Lumbreras, em 21 de Dezembro – solstício – as estrelas de Órion (o Jaguar Celeste) se refletem exatamente em cada um dos orifícios do altar que fica na superfície, exatamente em cima da câmara do Lazon, de forma que lá de baixo se consegue ver toda a constelação brilhando em um “céu” de pedra escura – como se a constelação descesse à terra e mergulhasse em seu subterrâneo. Uma grande celebração acontecia, nessa câmara, na noite do solstício até a manha do dia seguinte, quando os primeiros raios do sol atravessam uma fenda na parede leste e ilumina plenamente o rosto do Lazon, representando a renovação de sua força. Ao longo do dia, para completar essa cerimônia, o sistema hidráulico de sons era colocado para funcionar em plena potência.

No centro da praça principal, ficava o OBELISCO DE TELLO – atualmente no Museu de Lima –, esculpido em um bloco maciço de diorita de aproximadamente 2 metros de altura. Este monólito tem a representação de dois felinos – macho e fêmea –; na extremidade superior, sobre suas cabeças, há várias figuras de condores (símbolo do sol) e perdizes (símbolo da lua), além da constelação de Órion (símbolo do Jaguar Celeste).

Não se conhece outro culto em Chavin. Só na época incaica é que o conjunto adquiriu também um sentido oracular e tornou-se um lugar de peregrinação.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PARACAS

PARACAS é uma cidade do atual departamento de Ica, na costa peruana, aproximadamente a 250 km ao sul de Lima.

Frederic Engel descreve sua paisagem como:

“Um mundo vermelho, cinza, amarelado e turquesa, tal parece Paracas, com suas colinas, suas extensas áreas arenosas e sua baia de frente par
a a imensidão do Pacífico. Quando o sol se põe e reflete na areia cinzenta, se pode perceber, escondidas debaixo da areia branca,restos do cemitério daqueles homens que nos deixaram uma recordação inolvidável: os célebres 'tecidos de Paracas', cheio de cores, de vida, de magia, com testemunho de sua relação com essa enigmática baía. Aqui onde nunca chove, onde os ventos sopram formando 'chuva de areia', a natureza conservou, quase intacto, o milenar mundo da Baia de Paracas”.

O nome PARACAS significa, segundo alguns investigadores, “chuva de areia”, enquanto outros dizem ser “testa alta”. Na verdade, as duas acepções estão certas: os ventos, carregados de areia, são característicos dessa região e, por outro lado, as múmias descobertas têm uma testa achatada e alongada artificalmente.

A região de Pa
racas corresponde ao complexo agrícola mais antigo do qual se tem conhecimento no Peru. As datações através do carbono 14, demonstram que os “paraquenhos” conheciam o cultivo de plantas há mais de 9.000 anos. Cerca de 6.000 anos atrás, produziu-se um fenômeno climático que elevou uns 30 metros o nível do mar, chegando – por volta do ano 3.800 a.C. – a 3 metros acima do nível atual. Esse fenômeno de trasngressão marinha criou novas praias e destruiu outras. É interessante assinalar que quando o nível do Pacífico alcançou o nível atual – há 6000 anos atrás –, numerosos grupos de agricultores e pescadores apareceram na costa. Paracas é um desses grupos, surgido em torno de 3.100 a.C.

Paracas foi descoberta por J. C. Tello, em 1958, ao escav
ar um antigo cemitério onde encontrou uma grande quantidade de crânios estranhamente achatados. Junto dos esqueletos, encontrou utensílios do dia-a-dia desse povo – flautas, punhais de osso, agulhas, balas redondas de madeira polida, dados retangulares de quartzo e representações de animais de palha e junco. Segundo a datação por carbono 14, a cerâmica e a cultura do milho aparecem entre os anos 2.000 e 1.500 a.C.

As tumbas desse período eram escavadas no solo, com a forma de um grande frasco: “A tafera é dura debaixo do sol abrasador. Uma vez retirada a capa de areia, aparece outra de salitre; depois dessa, surge a boca de um poço vertical, escuro e profundo, quase circular, cujas paredes são revestidas de pedras, algumas salientes formando um tipo de escada. O poço tem a profundidade de 2 metros, por 1.50 m de largura, terminando na entrada de uma caverna propriamente dita com cerca de 3 a 4 metros de diâmetro por 2 a 5 metros de altura.Trata-se de uma gruta artificial, escavada na rocha, contendo fardos funerários revestidos com uma terra pegajosa. Em seu conjunto, a sepultura, incluindo o poço de aceso, é semelhante a uma taça invertida ou um frasco. O interior é escuro, mas os poucos raios de sol que se infiltram pela entrada permite ver o solo dividido em vários compartimentos, nos quais estão colocados os fardos funerários”.

A cerâmica encontr
ada junto é policrônica com uma pintura resinosa nas cores amarelo, verde, vermelho e preto, com motivos geométricos e, em alguns casos, a estilização de figuras felinas ou de pássaros (que recortam o estilo Chavin).

A mumificação seguia uma técnica muito elaborada. Primeiro, o morto era embalsamado; através de cortes verticais se tirava a massa muscular e adiposa das pantorilhas e coxas; outros cortes permitiam tirar o coração, os pulmões e a traquéia, todo o aparelho digestivo e, por fim, os olhos e cérebro. Supõe-se que em certos casos o cérebro
era extraído pelas fossas nasais. Depois de estar esvaziado, era colocado sobre areia quente ou próximo a brasas incandescentes para fundir a gordura restante, diluindo os tecidos graxos. Depois de toda essa operação, a pele descolada e flácida, e com uma coloração especial, torna-se pergaminosa, enrolando-se firmemente ao redor dos ossos, fazendo o morto parecer muito mais velho do que realmente era.

Depois disso, o corpo era amarrado com força para impor-lhe a posição fetal, fazendo-o parecer sentado, abraçando as pernas e as mãos sustentando a cabeça. A imagem resulta impressionante: é a morte liberada da putrefação cadavérica!

Muitas das múmias encontradas mostravam ma
rcas TREPANAÇÃO em suas cabeças deformadas. Acredita-se que estejam ligadas à ferimentos de combate. Com efeito, os grossos turbantes de algodão não conseguiam minimizar, sempre, os golpes de maça d
e pedra estrelada. A ineficiência do turbante provocava afundamentos e rachaduras no crânio, provocando a paralisia parcial ou total da pessoa, além de perder a consciência por um tempo indeterminado. A trepanação surge como tratamento para esses males. O cirurgião abria o couro cabeludo e cortava a carne ao redor do ferimento, usando uma faca de obsidiana, até chegar ao osso quebrado. A anestesia devia existir, pois essa é uma operação delicada e o paciente precisava ficar totalmente imóvel; provavelmente, usava-se a coca. Quando chegava no osso, fazia-se um corte nele; depois, mais um paralelo e dois perpendiculares, formando um quadrado ou retângulo ao redor do tecido ósseo deteriorado. Então, esse pedaço era cuidadosamente retirado. Feito isso, recolocava-se a carne e o couro cabeludo no lugar, e fechava-se com um curativo de ervas que agilizavam a cicatrização. Caso o pedaço ósseo retirado fosse muito grande, podia-se usar um tampão metálico em seu lugar, debaixo do couro cabeludo. Essa operação aliviava a pressão sobre o cérebro, trenando o hematoma que se formara com a pancada e que deixava a pessoa com paralisia.

A prática da trepanação em Paracas parece não ter sido mais desenvolvida que em qualquer outro lugar do mundo. A contar pelo calo ósseo encontrado nas bordas da abertura de 90% dos crânios trepanados, o índice de morte durante a operação (ou logo depois dela) é muito pequeno. A criação do calo demonstra que o paciente sobreviveu tempo suficiente para o osso cicatrizar; em alguns casos, os calos demonstram anos. Nos casos em que usaram a placa metálica em substituição do tecido ósseo retirado, os pacientes viveram o suficiente para o osso se soldar ao metal, tornando-a firmemente ajustada e imobilizada.